quarta-feira, outubro 15, 2008

A decadência das lontras ignorantes.

A nossa educação mais tarde ou mais cedo acaba por se reflectir nas escolhas e decisões que tomamos, assim como em tudo na vida. Hoje quando vou a uma qualquer grande superfície, não deixo de me admirar e repugnar com as preferências e escolhas inerentes a uma das necessidades mais antigas e intrínsecas do homem, a alimentação e a forma como esta é encara hoje em dia pela maioria da população.

Dou por mim muitas vezes a pensar: “ Mas será esta gente ignorante, estúpida? Não cabem na cadeira e estão a pedir batatas fritas, hambúrguer com molho, mas sem salada por favor. Sopa não quero, dê-me antes uma Coca-Cola light que o médico disse-me que tinha de perder peso.”

A ignorância e o desdém pelo bem-estar e saúde chega a um ponto que me levo a perguntar se estamos perante seres humanos dotados de capacidades intelectuais superiores aos demais animais, ou de meras bestas insaciáveis pelo prazer imediato. Podemos argumentar que se trata de um problema individual de cada um ao qual os outros nada ou pouco têm a ver com isso. Eu afirmo o contrário, o problema é tão deles como nosso. Estamos a instituir uma sociedade indivíduos obesos, hipertensos, insuficientes cardíacos, uma prole de inválidos a quem todos nós vamos ter de pagar a conta do hospital, da reabiltação, do tempo que poderiam ser úteis à sociedade mas não o podem devido ao seu estado debilmente lontroso.

Recuso-me ouvir as desculpas, dos que não podem porque não tem tempo, porque é difícil e custa (isto já é mais difícil de assumir), os que não tem tempo para caminhar 30 minutos, mas têm tempo para estar horas a fio no computador ocupados com futilidades, do vou começar para a semana porque hoje não me dá jeito, dos que até dizem que gostavam de se tratar melhor mas como é mais fácil e rápido assim deixa lá estar isso que amanhã não como.
Quanto tempo mais nos continuaremos a degradar? Até me dar uma pontada no peito e cair na cama de vez? Assim que não tiver forças para subir um lanço de escadas? Quanto tiver dificuldades em respirar ou dormir? Assim que não conseguir ver os meus genitais, a não ser ao espelho?
A escolha não está só entre morrer cedo ou tarde, está entre viver bem ou sofregamente, entre nos sentirmos bem connosco ou definhar lentamente assumindo-o como inevitável. Que imagem queremos nós deixar deste curto espaço de tempo desta existência? De meras bestas que mal sabem cuidar de si quanto mais do que o que os rodeia?
No meu mundo perfeito, as pessoas distinguem-se não pela aparência, dinheiro, valores materiais que ostentam, não pela eloquência das palavras ou da posição social, mas pelos actos que assumem e pela consciência que tem por si e pelos outros.


A terceira palavra que usei no início do texto foi educação, e é aqui a meu ver que reside a essência problema, não temos tido de quem chama a si a responsabilidade da educação a sensibilidade para este problema que começa em casa e acaba na escola. Por alguma coisa é que a maior prevalência de excesso de peso se encontra entre as classes sociais mais baixas, menos instruídas, com menos posses económicas e com mais dificuldades de acesso à informação.
A UE parece finalmente começar a despertar para este problema com as mais recentes recomendações nutricionais para crianças em idade escolar, e não antevejo muito tempo para este problema começar a ser encarado com a urgência que apresenta. A conta já começou a chegar aos estados e indirectamente ao bolso de todos nós. Em causa está a degradação da saúde pública, da qualidade de vida dos cidadãos, um problema muito mais gravoso do que o do tabagismo, é a americanização dos hábitos e cultura europeia com tudo o que de mau que isso acarreta.


Tenho a firme intenção de brevemente começar a colocar aqui uma série de considerações sobre nutrição e alimentos, partilhando com todos que quiserem ser alvo dessa partilha, os meus saberes adquiridos ao longo da minha formação e particular curiosidade que fui acumulando. Faço-o por própria diletância e sem qualquer pretensiosismo, porque ao contrário de muitos pseudo filósofos, intelectuais, considero que este assunto nada tem de prosaico, tomando como verossímel a máxima: Nós somos aquilo que comemos.

Fui

P.S: Assumo que me possa ter empolgado um bocado nas palavras, mas depois de ver uma jovem obesa que se viu obrigada a comer de pé, devido ao facto do seu rabo não entrar na cadeira, o seu hambúrguer e batatas fritas senti-me inconscientemente revoltado e repugnado com toda esta idiotice, que não passa de um terrível cúmulo de uma pequena parte da situação visível.

2 comentários:

Nimpo disse...

É um problema de saúde pública em ascenção. Nos EUA, 40% das pessoas já são obesas. A obesidade, juntamente com outros problemas que lhe estão associados, hipertensão, diabetes e colesterol aumentado, aumenta exponencialmente o risco cardiovascular (enfartes, AVC, etc..). Provoca também uma grande perda de qualidade de vida, não só socialmente, como a nível orgânico, aumentando a morbilidade causada pela patologia neuromuscular.

Já é hora de dizer BASTA e parar com este ataque biológico ao nosso organismo. Ver crianças ainda de fraldas comerem hamburgers com batatas fritas ao pequeno almoço é, não só chocante como criminoso.

É tempo de mudar os hábitos. De correr, andar de bicicleta ou, simplesmente, caminhar. Viver a vida, respirar. Sentir o vento e os raios de Sol. Ou até as gotas de chuva : ) Como diriam os wankers-mestre Coldplay, "Viva la Vida".

Mariana disse...

Cada vez mais se vê o quanto degradante estão as questões de alimentação... é repugnante vermos criancinhas a fazerem birra porque simplesmente querem comer um hambúrguer, umas batatas ou outro qualquer fastfood... E claro, para quê ouvir gritos e choros sem fim se há uma solução tão eficaz e tão rápida de executar! Come e cala-te! E infelizmente quem fala em criancinhas fala também de indivíduos que se dizem conhecedores das consequências de obesidade e por isso citam: se morrer, morro de barriga cheia!

Enfim, que mais há a dizer se nem cuidar de nós próprios sabemos...