domingo, dezembro 07, 2008

Rear Window de Alfred Hitchcock (1958)
Género:  Crime / Drama / Mistério

Imaginem um daqueles pátios interiores urbanos, rodeado de dezenas de blocos de apartamentos, dezenas e dezenas de janelas traseiras convergindo para esse mesmo local. Cada janela, uma vida. Imaginem agora todas essas janelas abertas e/ou penetráveis, por algum imperativo climático, e alguém, pertencente a esse mesmo sistema, observando tudo e todos, para vencer a limitação do seu próprio aborrecimento.

Este é o ponto de partida para Rear Window, um dos mais aclamados filmes de Hitchcock. Seduzido pelo prazer irresistível do voyeurismo, o personagem principal, interpretado pelo cativante James Stewart, é arrastado progressivamente para um jogo de interpretações pessoais daquilo que aparentemente vê, na aparente segurança da sua janela. Ele e a sua visitante regular, a glamorosa Grace Kelly, com uma interpretação hipnotizante, preenchendo verdadeiramente o ecrã, vão ser os companheiros numa jornada confrontacional realidade/imaginação cujas consequências imprevisíveis e perigosas parecem ignorar.

Um filme original, com um argumento inteligente, diálogos marcantes, personagens intrigantes e uma intriga misteriosa e cativante. Um filme que mergullha, para além de tudo, em fascinantes questões sobre o ponto de vista filosófico.


"Não estou muito por dentro da ética de janelas traseiras"

"É um mundo privado secreto que estás a olhar por aí. As pessoas fazem muitas coisas em privado que não conseguiriam explicar em público."

5 comentários:

Marquês disse...

GENIAL! Um dos pontos altos da carreira de Alfred Hitchcock.

O Shihan disse...

Hitchcock no seu melhor,um filme visto unicamente de uma perspectiva, com a presença da estupenda Grace Kelly - protagoniza o papel da mulher loira fetiche de Hitchcock -, pouco antes de ser princesa confirmando o porquê de ser considerada uma das mais belas mulheres de sempre do cinema, verdadeiramente glamorosa.

Nimpo disse...

É verdade, a única perspectiva do filme é a que temos do quarto do senhor James Stewart, muito original mesmo. Ver as pessoas quase como formiguinhas nas suas tocas, com os seus hábitos, maneirismos, sentimentos... Está aqui muito do Big Brother, para além do já citadíssimo "1984" de George Orwell.

Os dois grandes actores deste filme, naturalmente, já morreram, pesando porém a morte precoce de Grace Kelly, princesa do Mónaco, na sequência de um acidente de viação... Uma perda trágica.

O Shihan disse...

Como trágicas são todas as mortes, umas mais canónicas, outras mais horrorosas, algumas anónimas, esta muito mediática.

Anónimo disse...

Mergulhar na perfeição de Hitchcock, não procurar, mas encontrar a perfeição de obras assim ...