terça-feira, março 31, 2009

O Aqueduto

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Há dias falou-se aqui em obras públicas, e pensei que uma boa forma de introduzir “alguma coisa de jeito”, na nossa falta de jeito para tratar de assuntos, ou inclusivamente de introduzir algo de interessante, mesmo sabendo que para alguns na sua pura indolência o interessante é simplesmente coisa nenhuma vindo daqui, seria olhar para O Aquedudo das Águas Livres.

Foi precisamente a primeira grande obra pública, a primeira que não teve por trás interesses de carácter religioso, ou fins militares. Tanto foi assim, que acabou por ser financiada exclusivamente pelo povo, através de um imposto especial, apesar de nos cofres do reino não faltar ouro ao Magnânimo soberano, D.João V, bem mais partidário em enterrar a riqueza do reino em faustos – é disso exemplo O Real Convento de Mafra, dono de uma riqueza arquitectonicamente tão invejável como inútil -, do que em melhorar as condições de vida do seus súbditos.

Estava inaugurada assim, no século XVIII, a história das grandes obras públicas portuguesas, e com elas as 3 regras dos seus vícios, apenas tidos como normais neste canto da Europa: a obra demora sempre mais do que o previsto inicialmente; o orçamento é sempre ultrapassado; o habitual é que haja confusão entre empreiteiros, subsidiários e outros ários lá metidos, levando à inevitabilidade das duas primeiras regras.

No final das contas, nem tudo é mau, e no caso desta primeira obra o resultado foi fabuloso: uma obra de engenharia ímpar com 14km de extensão, 58km contando com as condutas secundárias, o maior arco de pedra do vão do mundo e uma maravilha da técnica que deu de beber ao povo e perdurou até 1968 cumprindo a sua função inicial, tão primordial que nos acaba esquecida quando olhada para o convento de Mafra.

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5 comentários:

Roberto disse...

E bunito sim senhora....

Quantas vidas nao salvou esta obra dando o k beber as populacoes...

Anónimo disse...

sem qualquer interesse.

O Shihan disse...

Indeed

Mariana disse...

O povo sempre foi e será o sacrificado...
Muito bonito o Convento de Mafra!

Nimpo disse...

Tanta despesa para esse convento que não passa de uma imitação simplória do palácio de Versalhes ...