domingo, maio 24, 2009

“A felicidade é uma pequena cidade”

clown A expressão, ou uma parecida com ela, conta-se que é da autoria de um insigne filósofo e leva-nos até à principal encruzilhada do homem moderno – a busca pela felicidade. A expressão é mais recente do que se julga, e, talvez tenha sido a última grande utopia criada pelo homem. Inventada após o fervor da Revolução Francesa, etimologicamente significa nivelar por baixo e, é por isso, um dos maiores engodos a que todos os homens se sujeitam pacificamente.

A felicidade não existe. Existem, isso sim, pequenas doses de fortuna, que num momento ou outro nos enchem a maneira. Essa maneira pequenina, ínfima e mesquinha, própria de seres minúsculos, como nós.

Felizes podem ser os coelhinhos e os passarinhos, pelo menos, até levarem um balázio de um senhor caçador, feliz depois por levar um cadáver como troféu para casa, feliz quando saí à rua para festejar uma vitória do Porto, feliz até bater na mulher, feliz ao comprar um Mercedes, feliz por passar o resto da vida a pagá-lo, feliz por se achar feliz, feliz apenas por parecer feliz.

Felizmente, a vida está muito dependente de nós próprios, principalmente para alguns infelizes felizardos, como nós, que ao contrário da generalidade das pessoas, têm nas mãos essa grande força propulsora da vida: a mudança, a única constante da vida.

3 comentários:

Nimpo disse...

Estudo científico em gémeos monozigóticos (http://www.psych.umn.edu/courses/fall06/macdonalda/psy4960/Readings/LyubomirskySustain_RGP05.pdf) chegou à conclusão que cerca de 50% da nossa felicidade advém do nosso património genético; 10-15% de factores socioeconómicos, saúde mental e geral; e os restantes 35-40% de factores não qualificáveis (como a forma como encaramos a vida, etc). Assustador não é?

Carla disse...

Felicidade, se há conceito complexo é sem dúvida este. O curto prazo que por vezes a suporta pode transportá-la para um longo prazo não aparente. E no alcance do longo prazo, ela acaba por se dissolver na ânsia de mais. O mais que engana as pessoas, o mais que inibe o brilho no olhar que conhecem e que denominam de felicidade.
É de facto nas mãos de cada um que está a mudança necessária numa panóplia de vivências construidas a cada minuto.
Falta de tempo ou falta de atitude? A qualquer minuto podes criar algo novo.

Se bem que podemos tomar com relatividade esta constante mudança, um pouco surpreendente esse estudo nimpo, assumindo que os minutos de que falo se possam 'reduzir' a menos de metade..

Mariana disse...

Estranha sensação ao acabar de ler e olhar para uma figura que simboliza todo um encantamento de criança. Figura essa símbolo da falsa felicidade, ou felicidade aparente. Mas, relevante é que em torno desta utopia cada um sustente o seu conceito de felicidade.